Perfil de contratações, visão a longo prazo e pressão da torcida: a 1ª coletiva de Felipe Albuquerque

Felipe Albuquerque entrou na sala de imprensa do Paysandu para encarar, pela primeira vez, uma dúzia de jornalistas paraenses curiosos para saber informações à respeito do planejamento do clube visando 2019. O novo diretor executivo do Papão se apresentou, não citou nomes de possíveis contratações, mas traçou o perfil de atletas que irá balizar a escolha das contratações, além de prometer “mergulhar de cabeça” de maneira imediata na realidade do clube.

Antes que Albuquerque falasse ao microfone, o presidente eleito Ricardo Gluck Paul fez observações sobre a escolha pelo novo dirigente. A opção pelo ex-executivo do Vila Nova se deu por um critério técnico, e aparentemente preponderante para a próxima temporada: a capacidade de lidar com orçamentos limitados.

– Felipe chegou hoje em Belém, às 11h da manhã. Fomos busca-lo no aeroporto e desde então temos trabalhado. Sempre foi nossa primeira opção. É um profissional que está dentro do perfil que a gente vem procurando para o Paysandu. Na minha visão, é uma pessoa que tem como histórico conseguir alta performance com orçamento apertado, e acho que é muito a realidade do Paysandu. Tenho certeza que a gente vai conseguir desenvolver um grande trabalho – argumentou o mandatário bicolor.

Antes de ouvir os questionamentos da imprensa presente, Felipe Albuquerque revelou ter familiaridade com o novo ambiente de trabalho.

– Vou me dirigir ao torcedor, à Fiel bicolor, para dizer que para mim é motivo de muita honra poder estar aqui no Paysandu, retornar à cidade onde passei boa parte da minha infância, onde eu tenho uma ligação. Quem não me conhece, o meu sobrenome Albuquerque, ao qual dou tanto valor, veio da pessoa mais importante da minha vida, a minha avó, nascida em Belém e falecida no último dia 30 de dezembro. Então retornar a uma cidade onde eu tenho laços tão profundos e num clube da grandiosidade do Paysandu muito me honra. Fiquei muito lisonjeado pelo convite. Sei do tamanho do desafio e o torcedor pode ter a convicção de que os resultados nós não controlamos, mas comprometimento, trabalho e organização estarão todos os dias aqui, à serviço do clube. De mim e de toda a equipe que iremos formar – iniciou.

Perfil de contratações, rivalidade com o Remo e a aparente saída conturbada do Vila Nova estiveram entre os temas da entrevista. Nomes de jogadores não foram citados, mas devem começar a ser divulgados pelos canais oficiais do Papão ainda nesta semana. Confira a seguir os principais trechos da coletiva de 20 minutos com Felipe Albuquerque:

Preferência pelo Paysandu
“Foram 900 dias à frente do departamento de futebol do Vila Nova. Eu disputei três Série B, 2016, 2017 e 2018, todas elas na casa de 50 pontos, sempre na primeira página da tabela. Realmente o Vila foi alçado a um novo patamar. Desde o primeiro momento em que estive com o Ricardo ele me apresentou um projeto muito sólido e foi isso que me atraiu a vir a Belém. Eu vejo o Paysandu como um clube gigante e que muito bem gerido pode chegar a lugares onde já esteve num passado glorioso. Eu e o presidente (do Vila) Ecival Martins conversamos depois de três temporadas à frente do planejamento, entendíamos que era o momento de uma renovação. O Ricardo está aqui e é sabedor que, quando surgiu a proposta do Paysandu, tive a possibilidade de ir para outro clube de Série B, mas não era só a divisão que era um fator determinante para a minha escolha, mas muito mais pelo projeto que me foi apresentado. Estou muito confortável aqui, fui bem recebido por todas as pessoas que conheci. Neste primeiro momento a estruturação de um projeto sólido do Paysandu foi principal motivo da minha vinda a Belém”.

Rivalidade com o Remo
“Será um ano de maior número de confrontos entre Remo e Paysandu. Nós vamos usar de muita ciência, isso aí eu já posso antecipar ao torcedor. Todas as nossas tomadas de decisão serão embasadas em números, em buscar conhecer melhor os atletas, como perfil psicológico, informação de outros treinadores. Vou começar a usar umas palavras do meu vocabulário aqui: foram o controle desses ‘drivers’ que levaram o Vila Nova ao patamar ao qual foi alçado. Então controlar essas competências com muito carinho, muita atenção. Eu, o Éder e todos que estiverem junto conosco no departamento de futebol seguirão essa diretriz para a montagem do elenco do Paysandu”.