Thiago Castanho lança livro de receitas e fala da ostra gigante do manguezal que virou um hit em sua cozinha

Peixe empanado no pão de açaí, arroz de pato com chouriço, homus de Santarém e suflê de doce de leite com flor de sal e calda de requeijão são algumas das deliciosas receitas que o chef e apresentador Thiago Castanho ensina no livro “Cozinheiros em ação” (Editora Globo Estilo), lançado no Rio.

Em 184 páginas, Castanho reúne algumas das suas mais novas criações além dos pratos vencedores da quinta temporada do programa de mesmo nome, que ele apresenta no GNT.

– Gosto desta coisa de ler receita em papel, tenho uma biblioteca só com livros assim em casa. São receitas que criei especialmente para esta publicação ou que gosto de comer, como a do peixe empanado no pão de açaí, que virou um sucesso em meu restaurante – diz o chef, dono do Remanso do Bosque (com o irmão Felipe), em Belém do Pará, o único restaurante brasileiro incluído na lista dos 50 Melhores da América Latina fora do eixo Rio-São Paulo.

A ideia do livro surgiu há um ano, quando ficou decidido que a nova temporada do “Cozinheiros em ação” teria um ingrediente como tema a cada episódio.

– Já tinha publicado o “Cozinha do origens” em 2013, com cem receitas e a história do Remanso. Ambas as obras servem de inspiração e momentos inesquecíveis com a família e os amigos.

“Cozinheiros em ação” é divido em 13 capítulos, mesmo número de episódios temáticos da temporada em questão. Os participantes foram desafiados a elaborar receitas com milho, mandioca, hortaliças, carnes e peixes, entre outros itens genuinamente brasileiros. Prática que o chef paraense – apontado pelo “New York Times” como um dos mais inovadores do Brasil – tira de letra em sua cozinha de origem.

– Trabalhamos com o Brasil, uma cozinha focada em ingredientes locais paraenses e nos hábitos de suas comunidades, dos indígenas aos ribeirinhos.

UM BALCÃO NO MEIO DO SALÃO

Ano passado, Thiago e Felipe Castanho abriram um bar com direito a balcão e bancos altos dentro do salão do Remanso. Uma vontade antiga da dupla em tornar o lugar ainda mais brasileiro.

– É bem informal, servimos drinques e coisas embutidas e defumadas, tudo produzido artesanalmente, refeições para serem comidas com a mão – detalha.

Um dos maiores sucessos ali é a ostra de mangue, que o chef foi buscar numa vila de pescadores em São Caetano de Odivelas, a 120km de Belém.

– É a mais pedida. A ostra é gigante, nativa e com sabor diferente de todas as demais porque vem de uma região de encontro de água doce e salgada, o mangue. Tinha interesse em conhecer mais aquela região, da mesma forma como aconteceu em relação à Ilha do Combú (a 15 minutos de barco de Belém) há alguns anos, onde descobrimos o chocolate enrolado em folha de cacau que, desde então, servimos na forma de musse no Remanso. Não por acaso, é o mesmo usado por outros chefs brasileiros, como Alex Atala – informa.